Tratamento Imunológico (2)

2) Os anticorpos antifosfolípides (AAF)


Os fosfolípides são componentes normais de todas as membranas celulares. O re-sultado disto é um aumento da adesão plaquetária e um relativo aumento de tromboxano (ação vasoconstritora), o que pode resultar em evento trombótico. Tais eventos, quando ocorrem na circulação uteroplacentária, podem levar aos abortamentos ou restrição de crescimento intra-uterino.

Algumas moléculas de fosfolípides apresentam pro¬priedades que estimulam a adesão celular, tais como a fosfatidilserina e a fosfatidiletanolamina. Tais moléculas estão assim envolvidas no processo de fusão celular, originando o sinciciotrofoblasto a partir do citotrofoblasto. Anticorpos monoclonais antifosfatidilserina são capazes de inibir a formação de sinciciotrofoblasto in vitro.

Acredita-se que, a cada abortamento, existe uma chance de 15% de a mulher desenvolver algum anticorpo antifosfolípide, sendo o efeito cumulativo. A maioria das mulheres com AAF é assintomática, mas algumas podem apresentar tendências autoimunes, devendo ser investigadas adequadamente. Embora haja uma alta frequência de AAF em pacientes lúpicas, existe uma parcela significante da população que é positiva para estes anticorpos, mas não apresentam a nenhuma doença.

O tratamento da síndrome antifosfolípide envolve aspirina em baixa dose e heparina profilática, que não atravessa a barreira placentária. Embora a aspirina possa atravessar a barreira placentária, a dose empregada é baixa, não havendo comprometimento fetal. O tratamento para tais casos é mais eficaz se iniciado antes mesmo da concepção e mantido por toda a gestação. Atualmente, costuma-se indicar o tratamento até 34 semanas de gestação, com a utilização de heparina de baixo peso molecular, como a enoxaparina, juntamente com aspirina.

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