Tratamento Imunológico (19)

EXAMES ESPECIALIZADOS EM REPRODUÇÃO ASSISTIDA E IMUNOLOGIA DA GESTAÇÃO


19) Inibinas e ativinas

Em mulheres em idade reprodutiva, a inibina A e a inibina B apresentam padrões distintos durante o ciclo menstrual. A inibina A aumenta na fase folicular e atin­ge seu máximo na fase lútea, com um valor intermediário na ovulação. Diferentemente, os níveis de inibina B são máximos na fase folicular média, com um pico ovulatório antes de caírem para valores basais na fase lútea. Se aceita que a inibina A seja produzida principalmente pelo folí-culo dominante e corpo lúteo, enquanto que a produção de inibina B é realizada por pequenos folículos antrais em desenvolvimento.

Durante a gestação, a inibina A é produzida pela uni­dade feto-placentária, sendo que seus níveis começam a aumentar no início da gestação, atingindo um pico com cerca de 8 a 10 semanas. A seguir, sofrem um declínio até 20 semanas e então continuam a se elevar até o termo.

Em mulheres menopausadas, tanto a inibina A como a B caem para níveis inferiores a 5 pg/ml. Os homens, apa­rentemente, não secretam inibina A, mas a inibina B está presente e se correlaciona inversamente com o FSH.


Inibina B e função gonadal

Existem vários métodos utilizados para a avalia­ção da reserva ovariana para ciclos de fertiliza­ção in vitro, tais como, o teste do citrato de clomifeno, a dosagem de FSH basal e de estradiol. A inibina B é um marcador direto da atividade ovariana e está relacio­nada com o número de ovócitos obtidos. A dosagem de inibina B é um teste simples que pode ajudar pacientes e médicos na avaliação da reserva ovariana e, conseqúente-mente, na estimativa do prognóstico de um ciclo de fertili­zação in vitm. Também auxilia na definição da melhor dose de medicação empregada, com o intuito de induzir uma resposta adequada e, ao mesmo tempo, evitar um quadro de hiperestimulação.

Costuma-se aceitar que mulheres entre os 20 e 30 anos de idade, com reserva ovariana normal, devem apresen­tar níveis de inibina B na fase folicular média de 125-150 pg/ml. Abaixo de 100 pg/ml, já deve haver alguma preo­cupação, mesmo com FSH normal. Abaixo de 80 pg/ml, existe grande chance de haver uma má resposta ovariana à estimulação.

No início do período peri-menopausa, os níveis de inibina B diminuem de forma significativa sem que haja alterações nas concentrações de estradiol ou inibina A. A queda dos níveis de inibina pode levar a um aumento do FSH, causando aumento do recrutamento folicular e acele­ração da taxa de declínio do número de folículos. Assim, a dosagem de inibina B juntamente com o FSH e o estradiol pode ser útil para prever a época da menopausa e avaliar a reserva ovariana em tratamentos de reprodução assistida.

No homem, a inibina B é um marcador direto da função das células de Sertoli e da espermatogênese em adultos. Os níveis séricos de inibina B se correlacionam com o volume testicular e concentração de espermatozóides. Ní­veis muito baixos indicam mínimos ou ausência de produ­ção, sendo então geralmente indicado um procedimento invasivo para a obtenção de espermatozóides. A inibina B se correlaciona inversamente com o FSH em homens, o que sugere seu papel como modulador negativo do FSH. Acredita-se que a medida de inibina B juntamente com o FSH forneça uma melhor indicação da qualidade da fun­ção espermática que a medida de um dos dois marcadores isoladamente.

Inibina A

A inibina A tem sido descrita como um marcador útil para prever o surgimento de pré-eclâmpsia em gestantes. Seus níveis estão sabidamente aumentados com cerca de 30 semanas em relação às gestantes normais. No início da gravidez (de 15 a 18 semanas), observou-se um aumento significativo (60%) dos níveis de inibina A em mulheres que subsequentemente desenvolveram a pré-eclâmpsia. Assim, a inibina A pode ser usada como um marcador para o rastreamento das pacientes quanto ao risco de desenvol­vimento da doença.


Ativina A

A ativina A tem sido correlacionada com o risco de trabalho de parto prematuro, estando aumentada de forma ainda mais significativa em pacientes que não respondem à terapia tocolítica.

Em mulheres com carcinomas ovarianos mucinosos e tumores da granulosa, os níveis de inibina total e de ativi­na A encontram-se elevados, podendo estes marcadores serem usados juntamente com o CA-125 no rastreamento bioquímico e no acompanhamento de pacientes tratadas de tumores ovarianos. A ativina A mostrou-se elevada, também, em nível tecidual e sérico de mulheres meno-pausadas com diagnóstico de câncer de mama.

A principal condição de risco para as gestantes com idade avançada é a Síndrome de Down, ou trissomia do 21, que é de longe o mais comum e mais bem conhecido dos distúrbios cromossômicos e a causa genética mais comum de retardo mental moderado. Cerca de 1 criança em 800 nasce com síndrome de Down, e entre os nativivos ou fetos de mães com 35 ou mais anos de idade a taxa de incidência é bem mais alta. Porém, a maior parte dos nascidos vivos com a síndrome não é identificada no pré-natal porque a maioria de tais gestações é de mães com menos de 35 anos de idade. Ou seja, apesar da incidência de Síndrome de Down ser maior em mulheres em idade avançada, a grande maioria dos pacientes com a síndorme nasceu de gestantes com idade abaixo de 35 anos. Sendo assim, o exame de rastreio para a síndrome deve ser re­alizado em qualquer gestante independente de sua idade durante a gestação.

O método não invasivo atualmente empregado para o rastreio pré-natal das aneuploidias cromossômicas mais comuns (Síndrome de Down e Síndrome de Edwards), é o uso combinado da translucência nucal fetal (TN), realizada através de ultrassonografia e os marcadores so-rológicos realizados através de exame sanguíneo (PAPP-A efreep-HCG).

PAPP-A é uma proteína placentária que aparece em concentrações diminuídas em gestações de fetos com síndrome de Down quando comparados aos fetos normais. Em casos de trissomia do 21, já foram descritos níveis diminuídos em mais de 50% entre a 8a e a 13a semanas, sendo que ela pode ser detectada já a partir do 30° dia de gestação. Níveis reduzidos de PAPP-A também po­dem estar associados à Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18). Após a 14a semana, a dosagem de PAPP-A perde sua utilidade. O free p-HCG é uma das duas subunidades do hormônio glicoprotéico HCG. Seus níveis estão praticamente dobrados em gestações com síndrome de Down e reduzidos na Síndrome de Edwards.

O uso da ultrassonografia para medida da translucên­cia nucal associada à idade materna é capaz de detectar, isoladamente, 77% dos casos. A combinação dos dois métodos (ultrassonografia e marcadores bioquímicos) em associação com a idade materna permite a identifica­ção de cerca de 90% dos casos de síndrome de Down e Edwards, com uma taxa de falsos positivos de 5%. Estudos mostram que estes exames apresentam resultados satis­fatórios quando realizados entre a 10° e a 13° semana de gestação.


Próxima Página

Clínica Fertilis - Rua Marcelino Soares Leite, 33 - Trujillo - Sorocaba-SP - CEP: 18060-390 - Brasil
Fone/Fax: +55 (15) 3233-0708 / (15) 3233-0680 / (15) 3233-0279