Tratamento Imunológico (18)

EXAMES ESPECIALIZADOS EM REPRODUÇÃO ASSISTIDA E IMUNOLOGIA DA GESTAÇÃO


18) GlicodelinaA e lGPBP-1

A glicodelina e a IGFBP-1 são duas proteínas secreta-das pelo endométrio que podem desempenhar importan­tes papéis na receptividade endometrial durante o período de implantação e na manutenção da gravidez.

Glicodelina

A glicodelina humana, anteriormente conhecida por proteína placentária 14 (pp14) ou proteína uterina alfa-2 é uma glicoproteína com marcantes atividades imunossu-pressoras e contraceptivas. É produzida e secretada pelo epitélio glandular endometrial, também sendo produzida pelas vesículas seminais.

No útero, a síntese de glicodelina-A é temporariamente regulada pela progesterona. Durante a janela de implan tacão com forte predomínio estrogênico, a ausência da síntese de glicodelina-A é significativa, porque ela inibe a ligação espermatozóide-oócito. A síntese endometrial de glicodelina pode ser induzida, na janela estrogênica de implantação, pela administração de progesterona (como é o caso do DIU de levonorgestrel, por exemplo).

A glicodelina é uma glicoproteína produzida por glân­dulas endometriais secretoras / deciduais durante a fase lútea. Acredita-se que ela facilite o processo de implanta­ção por inibir a resposta imune endometrial à presença do embrião. A glicodelina inibe a reação linfocitária mista e a atividade de células NK.

Concentrações séricas reduzidas de glicodelina estão associadas a um desenvolvimento endometrial retardado (aparentemente, também apresenta um efeito sobre a di­ferenciação epitelial), abortamento precoce e abortamento de repetição. Alguns estudos relatam concentrações redu­zidas de glicodelina no soro (na fase lútea) e em lavados uterinos de mulheres com infertilidade sem causa aparen­te e abortamentos de repetição.

Já se observou também, o aumento da glicodelina sé-rica em mulheres com SOP que fizeram uso de metformina fora do período gestacional. Representam um mecanismo para explicar as menores taxas de abortamento observadas em mulheres com SOP que fizeram uso de metformina no primeiro trimestre da gestação. Já foi demonstrado que a glicodelina sérica se correlaciona com a concentração en­dometrial (TRH leva a uma maior elevação da glicodelina em mulheres com útero quando comparadas às histerec-tomizadas).

Portanto, dosagem de glicodelina e de IGFBP-1 pode ser útil na identificação de mulheres com risco aumentado de abortamento. Intervenções que elevem a concentração sérica de glicodelina e de IGFBP-1 (como o metformina) podem ser úteis na prevenção de abortamento em mulhe­res com SOP e talvez outros tipos de infertilidade relacio­nados a hiperinsulinemia.


IGFBP-1

A IGFBP-1 (Insulin-like growth factor binding protein 1) também é conhecida por proteína placentária 12 (pp12), BP-25, alfa-1-PEG (alphal-pregnancy associated endo­metrial globulin) e proteína de ligação da somatomedina. É um produto da secreção do endométrio/decídua, tendo 25 kDa. Pode ser detectada no soro, no líquido amniótico, nofluidofolicularenolíquor.

A IGFBP-1 é uma proteína com ações parácrinas que facilitam o processo de adesão na interface feto-materna durante o período peri-implantacional. Em mulheres não gestantes, a IGFBP-1 é produzida principalmente pelo fíga­do e tem sua produção inibida pela insulina. Na gestação, passa a ser produzida também pelo estroma endometrial. Maiores taxas de abortamento observadas em pacientes com SOP podem estar relacionadas a uma supressão da produção de glicodelina e de IGFBP-1 pela hiperinsuline­mia. O uso de metformina em mulheres com SOP não ges­tantes resulta em aumento de 3 vezes da glicodelina sérica e de 4 vezes da IGFBP-1 sérica.


Próxima Página

Clínica Fertilis - Rua Marcelino Soares Leite, 33 - Trujillo - Sorocaba-SP - CEP: 18060-390 - Brasil
Fone/Fax: +55 (15) 3233-0708 / (15) 3233-0680 / (15) 3233-0279