31) É possível prevenir a Infertilidade?

Cerca de um em cada cinco casais (20%) tem ou terá problemas para engravidar. Em nosso pais estima-se que cerca de 15 milhões de casais sejam inférteis. Apesar de as causas de infertilidade serem proporcionais entre os homens (30%) e as mulheres (30%) e em ambos (30%), boa parte desses casos poderiam ser evitados se algumas cuidados fossem tomados durante o desenvolvimento, até a idade adulta. Por definição são considerados inférteis aqueles casais com mais de um ano de casados, com ritmo sexual de pelo menos 3 a 4 vezes ao mês, sem uso de métodos anticoncepcionais, que não conseguem engravidar.
           
Podemos dividir as precauções para evitar os fatores que podem vir a ser causadores de infertilidade em quatro partes a saber : a) atenção perinatal ; b) atenção na infância ; c) cuidados na puberdade e d) cuidados na idade adulta. 
           
Na época que vai desde a vida intra-uterina até o pós nascimento devemos evitar os fatores externos que podem influenciar o desenvolvimento da gravidez como radiação (Raio-x), quimioterápicos e medicações teratogênicas (capazes de produzir seqüelas no feto), como por exemplo antibióticos e ou drogas como a Talidomida.
           
Já no recém nascido um exame rigoroso deve ser feito pelo pediatra para verificar a localização, volume e consistência dos testículos a fim de evitar passar despercebida uma criptorquidia (o testículo não “desce” até a bolsa e permanece dentro do corpo, em uma temperatura alta não ideal para a produção de espermatozóides o que leva a infertilidade e a impotência). O cuidado nas cirurgias tanto de correção da criptorquidia como na de hérnia inguinal. Durante a cirurgia de hérnia pode-se erroneamente ligar o cordão espermático diminuindo o fluxo sangüíneo para os testículos. Já a correção da criptorquidia deve ser realizada no máximo até os dois anos de idade para evitar danos aos testículos.
           
Na infância tardia deve ser avaliado o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários como pelos, características sexuais [no menino, pilificação (pubarca), e o desenvolvimento dos genitais; e na menina o desenvolvimento das mamas (telarca), dos pelos (pubarca) e o aparecimento da primeira menstruação (menarca)]. Alterações nesse desenvolvimento podem ser sugestivas de alterações hormonais as quais podem levar a distúrbios de fertilidade.
           
Na puberdade, tanto os meninos como as meninas deveriam ser submetidos a um exame físico para avaliar : a) no menino; os testículos (posição, consistência, e volume), presença de Varicocele (varizes na bolsa escrotal responsável por cerca de 30% dos casos de infertilidade masculina) e o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. b) na menina checar o desenvolvimento completo dos caracteres sexuais secundários, presença de sintomas sugestivos de processos inflamatórios e a presença da menstruação. Sempre deve se perguntar a jovem sobre as características de sua menstruação como duração, intervalo, volume de sangramento, presença de cólicas e outros sintomas).
           
Um programa de saúde na Bélgica estudos meninos em idade escolar pesquisando a presença de Varicocele nessa idade e depois avaliando sua evolução com o passar dos anos e verificou que seria muito mais interessante realizar o tratamento nesta fase para evitar problemas de fertilidade no futuro.
           
Na idade adulta existem vários fatores que podem ser os responsáveis pela presença da infertilidade e vamos dividi-los em fatores:  ocupacionais/ambientais, infeções, traumas, hábitos e medicamentosos.
           
Os fatores ocupacionais estão ligados a profissão e/ou ao contato do indivíduo com esses fatores.  O calor excessivo de trabalhadores de caldeiras ou mesmo motoristas de ônibus ou caminhões pode ser lesivo aos testículos. A radiação dos indivíduos que lidam com Raio-x , trabalham expostos a radiação ou mesmo experiências com explosões atômicas pode levar a danos testiculares e ovarianos a curto ou longo prazo dependendo do tempo de exposição. Também os pesticidas quando estão sendo dispersados, manipulados ou ingeridos pelos alimentos podem causar danos tanto nos ovários como nos testículos. Alguns alimentos podem conter hormônios de origem vegetal (como os estrógenos da soja) ou de origem animal despejados no ambiente e ingeridos pode levar a alterações na função hormonal normal.

Estudos Canadenses e Franceses admitem que estes tipos de contaminações ambientais podem ser responsáveis pelo declínio da fertilidade principalmente masculina e num cálculo prognóstico estima-se que por volta do ano 2080 cerca de 80 a 90% da população masculina seja infértil.
           
As infeções causadas por Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) ou por outros tipos de infeções principalmente internas podem levar a casos as vezes extremos de infertilidade. Um processo infeccioso tubáreo ou do canal deferente (responsável pelo transporte dos espermatozóides) pode obstruir essas vias de passagem dos óvulos e dos espermatozóides levando a pessoa a esterilidade. Os processos inflamatórios decorrentes dessa infeções podem levar a aderências entre órgãos e tecidos causando seqüelas ou atuando diretamente no testículo causando danos locais ou mesmo atuando diretamente nos espermatozóides inibindo seus movimentos e gerando anticorpos.
           
Os traumas locais por acidentes, cirurgias e outros podem comprometer a fertilidade em ambos os sexos. Uma cirurgia de apêndice com infeção local pode vir a comprometer o aparelho genital feminino. Outras cirurgias ginecológicas como ressecção em cunha dos ovários, retirada de cistos ovarianos, retirada de miomas uterinos, cauterização de Endometriose e etc. Também podem contribuir para a infertilidade. Do mesmo modo cirurgias de hérnia inguinal, Hidrocele, Varicocele, Cistos de cordão espermático, na bolsa escrotal, ou nos testículos (biópsias), podem comprometer a produção espermática.
           
Hábitos como Fumo, ingestão de bebidas alcoólicas e drogas podem afetar a fertilidade. O fumo atua contraindo os vasos e diminuindo o aporte sangüíneo para os testículos podendo levar a um dano com o passar dos anos. Na mulher o efeito é mais devastador inibindo a ovulação, alterando o transporte dos embriões pelas trompas, atrapalhando a implantação no útero, e durante a gravidez causando retardo no crescimento fetal.
           
O álcool afeta o metabolismo do fígado alterando a degradação hormonal podendo levar a distúrbios na ovulação. Exercícios físicos em excesso como correr maratonas podem levar a uma diminuição na produção de hormônios femininos e a ausência de ovulação.
           
O uso de drogas afeta diretamente a produção hormonal do cérebro em ambos os sexos, e a produção de espermatozóides e hormônios masculinos pelos testículos. Seu consumo na gravidez pode causar malformações fetais e dependência pelo feto.
           
Alguns tipos de medicações podem levar deliberadamente ou involuntariamente a infertilidade. Nos exemplos de ação deliberada podemos citar as pílulas anticoncepcionais e seus derivados e nos casos involuntários podemos citar a recente descoberta de que uma das drogas mais usada no tratamento da hipertensão, a Nifedipina (Adalat), quando ingeridas por homens durante algum tempo podem diminuir a capacidade fértil do indivíduo.
           
Por fim acredita-se que uma avaliação bem feita antes do casamento (Exame Pré-nupcial) possa detectar algumas anomalias já presentes que poderão levar a infertilidade depois do casamento. Um  diagnóstico precoce pode facilitar e adiantar o tempo do tratamento para aproveitar o fator idade como vantagem.

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