14) A Epidemia de Infertilidade

Muitos casais se preocupam em saber se são inférteis ou não, e se são, quando devem procurar por tratamento.

Até alguns anos atrás, era prática corrente, se fazer os exames pré-nupciais, com o objetivo de saber se algum dos conjuges era infértil ou estéril. Como o antigo código civil previa a possibilidade de anulamento do casamento em caso de esterilidade, essa era uma medida preventiva, de proteção aos conjuges desavisados sobre a infertilidade ou esterilidade do parceiro.

Infelizmente, os exames solicitados avaliavam mais, as condições de saúde do indivíduo do que sua capacidade reprodutiva propriamente dita.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a definição de casal infértil diz respeito aos casais que tenham mais de um ano de casados, com atividade sexual mínima de pelo menos 3 relações sexuais ao mês, que não utilizem qualquer tipo de método anticoncepcional, e que não tenham obtido gravidez nesse período.

Segundo estatísticas da OMS, um em cada cinco casais (20%), apresenta ou apresentará algum tipo de problema de infertilidade. No Brasil , segundo o último censo, existem cerca de 8 milhões de casais inférteis. Na cidade de Sorocaba o cálculo demosntra que existem  cerca de 40 mil casais inférteis.

A infertilidade pode ser primária ou secundária. Na primária o casal nunca conseguiu ter filhos e na secundária o casal já teve filho mas tem dificuldade de obter uma nova gravidez. O termo infertilidade se aplica aos indivíduos ou casais, que tenham uma chance de engravidar menor do que a população fértil. O termo esterilidade se aplica somente a indivíduos cuja chance de engravidar é zero. Oportunamente pode ocorrer de os dois parceiros serem estéreis.

Ainda segundo a OMS, as chances de um casal fértil engravidar são de aproximadamente 18% por ciclo. A essa chance, é dado o nome de fecundabilidade. Essa chance é acumulativa ou seja, de cada 100 casais 18 engravidam no primeiro mês, 18% do restante engravida no segundo mês, 18% do restante no terceiro e assim por diante. Ao final de um ano 93% dos casais terão obtido gravidez. A OMS utiliza esses dados para definir o casal infértil.

Grosseiramente podemos calcular que se um dos parceiros apresenta algum problema de infertilidade fecundabilidade cai para 4% ao mês, e se houver mais de um problema em um ou ambos os parceiros, a chance cai para 1% ao mês. A chance de engravidar por ano com fecundabilidade de 4% é de cerca de 20 a 30% e a chance anual com fecundabilidade de 1% ao mês, e é de 10% ou menos.

Desse modo podemos selecionar os indivíduos que merecem ser submetidos a um tratamento, ou aqueles que podem esperar mais algum tempo tentando engravidar naturalmente.

Uma vez feito o diagnóstico do caso, e avaliadas as suas chances, indica-se o tratamento adequado ao caso.

Ao conjunto de tratamentos para infertilidade é dado o nome de Técnicas de Reprodução Assistida (TRA). Nessas técnicas o médico auxilia a obtenção da gravidez através de procedimentos que aumentam a chance de gravidez daquele casal.

Os tipos de TRA são: Coito Programado, Inseminação Artificial (AIH e AID), Fertilização “In Vitro” (FIV), Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI), Ovodoação, Barriga de Aluguel (Mãe Substituta), e outras técnicas acessórias.

Resumidamente, o Coito Programado consite em estimular a ovulação, (para se obter mais óvulos e assim aumentar as chances de gravidez), determinar o dia da ovulação por ultrassom e solicitar ao casal que tenha relações no dia adequado.

Na Inseminação também fazemos a estimuulação ovariana, determinamos o dia da ovulação, e o marido colhe uma amostra de sêmen, a qual é preparada e beneficiada no laboratório. Essa amostra então é colocada dentro do útero no momento da ovulação. O sêmen utilizado é o do marido (Inseminação Artificial com Sêmen do Marido – AIH), e quando o marido não produz espermatozoídes pode se utilizar o sêmen de um doador (Inseminação Artificial com Sêmen de Doador – AID).

Na Fertilização “In Vitro” , fazemos a estimulação ovariana, determinamos o dia da ovulação e os óvulos são coletados (aspirados) com auxílio do ultrassom. Os óvulos são levados ao laboratório de gametas, onde são contados e classificados. Nesse dia o marido fornece uma amostra de sêmen, que vai ser preparada no laboratório e colocada junto dos óvulos, Os óvulos e espermatozóides são mantidos em uma incubadora que simula o corpo feminino, com temperatura, umidade, luz e nutrientes adequados. Do mesmo modo que na Inseminação o sêmen é do marido e se ele não produz pode ser usado sêmen de um doador. Os embriões formados são transferidos ao útero, geralmente no terceiro dia de incubação, quando atingem o estágio de 8 células.

Na técnica de ICSI os espermatozóides são injetados diretamente em cada óvulo, facilitando a fertilização. O processo todo é similar a da FIV.

A ovodoação consiste na doação de óvulos para um casal em que a mulher não produz óvulos. O processo é similar a FIV.

Na Barriga de Aluguel uma receptora abriga a gestação com embriões de outro casal, quando a mulher não tem condições de gestar(doadora). No Brasil, por lei, a receptora deve ser parente em primeiro grau da doadora e em nenhum desses casos pode haver acordo comercial para aquisição de óvulos , sêmen ou da barriga.

Em Sorocaba já existem cerca de 200 crianças nascidas pela FIV, ICSI e Ovodoação, e está em curso a primeira Barriga de Aluguel, com parto previsto para o meio do ano de 2003.

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