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Revista da Folha - Reposição Hormonal

 

Conversa de homem

[por Roberto de Oliveira e Mariliz Pereira Jorge]

 

Aos 30, o administrador de empresas Roberto Eduardo Mudalen entrou numa espécie de túnel do tempo. Sem mais nem menos, o corpo sarado pareceu acordar um dia com algumas décadas a mais: cansaço contínuo, desânimo, raciocínio lento, falta de disposição para quase tudo, libido lá embaixo. "Eu tinha uma sensação estranha, meio deprê", conta.

 

Há dois meses, Mudalen procurou o médico, passou por uma bateria de exames e descobriu o vilão: sua taxa de testosterona tinha despencado 40%. Apesar dos exercícios diários e da alimentação saudável, seu organismo havia dado uma freada brusca na produção do hormônio.

 

Sinônimo de virilidade, a testosterona é uma daquelas substâncias que estão metidas em quase todo o organismo. Seu papel mais conhecido é o de garantir as características masculinas (pêlos no rosto, voz grossa, potência e maturação dos órgãos sexuais), mas ela também tem vital importância no desempenho de cérebro, pele, cabelos, músculos, ossos, rins e fígado.

 

Não é à toa que, embora seja o hormônio predominante nos homens, esteja presente também nas mulheres, ainda que em quantidades bem inferiores: um homem de 30 anos tem até 700 nanogramas por mililitro de sangue (ng/ml), enquanto uma mulher, na mesma faixa etária, terá, no máximo, 40.

 

"No homem, é como se a testosterona fosse o azeite e o vinagre da salada. Na mulher, é só a pitada de sal", compara o andrologista Lister de Lima Salgueiro, 42. Parece pouco? Não é: esse mínimo é o que garante, por exemplo, o apetite sexual feminino. Tanto que, ao chegar à menopausa, a testosterona é um dos itens da "cesta básica" da terapia de reposição hormonal.

 

A novidade é que "eles" agora também estão aderindo. "Antes, a reposição hormonal era aplicada em 1 paciente a cada grupo de 100. Só era adotada em casos bem específicos, como doenças nos testículos ou tumores na hipófise (glândula que produz diversos hormônios, quando a taxa de produção de testosterona caía abaixo de 100 ng/ml", afirma o endocrinologista Alfredo Halpern, 50, do Hospital das Clínicas e do Albert Einstein.

 

Atualmente, diz ele, se a taxa chegar a 250, os médicos podem recomendar o tratamento. O resultado é que hoje 15 em cada 100 pacientes aderem à terapia de reposição hormonal (TRH). "Se as mulheres podem, por que os homens não? É um direito e uma questão de conscientização sobre técnicas para melhorar sua qualidade de vida", afirma.

 

Há cerca de 15 dias, uma pesquisa do cientista Gerald Lincoln, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, divulgada em jornais do mundo todo, jogou mais lenha na fogueira ao sustentar que a queda acentuada de testosterona pode provocar irritação, sensação de fragilidade e depressão. Ou seja: aquele certo mau humor de alguns homens pode ser a versão masculina da TPM que persegue a maioria das mulheres. Só que, segundo Lincoln, nos caso deles, isso acontece ocasionalmente, em momentos de pressão e estresse extremos, como acidentes ou doenças graves.

 

"A vida nos grandes centros é tão competitiva, nem precisa dessas pressões extras", brinca Roberto Mudalen, que chegou à TRH após cinco meses de sintomas bem parecidos com os descritos pelo cientista escocês. Sua terapia foi feita com testosterona em gel, que espalhava nas coxas, costas e abdome, logo após o banho.

 

Controvérsia Nos consultórios médicos, pacientes com a idade de Mudalen ainda são pouco frequentes. A partir dos 40, o normal é que a maioria dos homens perca entre 1% e 2% de testosterona por ano, mas há casos em que a redução pode chegar a 50% entre 50 e 55 anos, dependendo de fatores hereditários e suas condições de vida.

 

Quando a queda atinge homens a partir dessa faixa etária, alguns médicos chamam o distúrbio de andropausa, o correspondente masculino da menopausa, mas com efeitos mais suaves e lentos. Por isso mesmo, o termo ainda é objeto de controvérsia. Uma designação que vem sendo mais aceita pela comunidade médica mundial é Padam (Partial Androgen Deficiency in Aging Male ou deficiência hormonal parcial no homem idoso).

 

Segundo Miguel Srougi, 55, professor de urologia da Unifesp, estudos internacionais demonstram que homens nessa faixa tratados com doses de testosterona tiveram aumento de massa muscular, menor descalcificação óssea e maior apetite sexual, além de melhora no humor e na sensação de bem-estar. "Se não houver riscos de efeitos colaterais, principalmente câncer de próstata, a reposição é uma alternativa caso os exames de dosagens hormonais comprovem queda acentuada em pacientes na andropausa", continua Halpern.

 

Idade do lobo Na faixa dos 40, a causa da queda hormonal acentuada é de outra ordem. "Sedentarismo, estresse, ganho de peso e alimentação com excesso de gordura, além de fatores hereditários, podem baixar os níveis de testosterona", explica o clínico Bruno Molinari, 35, especialista em medicina esportiva. O problema também pode estar relacionado ao uso excessivo de cigarro, drogas, álcool e ao estado emocional.

 

O empresário Alberto Lopes, 42, reunia algumas dessas características, mas jamais imaginava que a "velhice" chegaria tão cedo -e de repente. Há três meses, Lopes percorreu o mesmo caminho do trintão Mudalen: sensação de desânimo, cansaço, depressão e baixa libido, seguida de uma bateria de exames até descobrir uma queda de 40% da taxa ideal (veja médias na pág. ao lado).

 

Para piorar, estava muito acima do peso. Sua cintura, lembra, media mais de 100 cm. Além de exercícios físicos e de uma dieta rica em frutas e verduras, o tratamento incluiu, na primeira fase, injeções semanais de testosterona.

 

"Virei um garotão em plena puberdade. Estou sentindo tesão pela vida", brinca Lopes, comemorando os 22 kg perdidos e a troca das calças 52 pelo tamanho 46. "Hoje, tenho pique até para encarar uma hora de esteira e outra de musculação quatro vezes por semana e ainda saio à noite", gaba-se.

 

Além do gel e da tradicional injeção, a testosterona também é vendida em comprimidos e tabletes (veja quadro na pág. 12). O preço do tratamento, porém, é um pouco salgado, algo entre R$ 650 e R$ 800 por trimestre, dependendo do quadro clínico de cada paciente. Cada injeção sai por R$ 8.

 

O gel é, por enquanto, importado dos EUA por cerca de US$ 200 (sachês para 30 dias). A previsão é que, antes de maio, comece a ser envasado no Brasil pelo laboratório Enila, a um preço estimado em R$ 200, sachês para um mês. Haverá ainda uma versão em tubo, cujo preço não está definido, segundo o diretor do laboratório, Márcio d'Icarahy.

 

Os produtos só são vendidos com receita médica numerada, que é retida para controle do Ministério da Saúde.

 

Efeitos colaterais É bom frisar que, assim como na TRH feminina, nem tudo é maravilha no mundo dos hormônios. Há riscos e, sem acompanhamento médico minucioso, eles são gravíssimos.

 

O mais temido é o câncer de próstata. "Não é a testosterona que provoca a doença, mas ela se nutre e prolifera com o suporte hormonal", explica o urologista Álvaro Sarkis, 42, do Hospital do Câncer. "Há riscos de um tumor latente não diagnosticado se manifestar com o uso do medicamento", diz.

 

A reposição não é aconselhada para pacientes com histórico familiar de câncer de próstata. Com vivência anterior ou não, todos os interessados têm de se submeter ao exame de toque retal, entre outros.

 

Há também registros de efeitos colaterais por uso inadequado, como aumento dos mamilos, hepatite medicamentosa em uso excessivo, acúmulo de água e sal no organismo, apnéia do sono, aumento da taxa de glóbulos vermelhos no sangue e elevação da fração ruim do colesterol.

 

Na avaliação do endocrinologista Marcello Bronstein, 56, do Hospital das Clínicas, a reposição hormonal nunca deve ser feita de forma indiscriminada, independentemente da idade do paciente. "Ele deve passar por uma avaliação clínica detalhada e especializada", recomenda. "Os sintomas da andropausa não podem ser apenas atribuídos à deficiência de testosterona, mas também a uma série de fatores não hormonais", diz.

 

Cerca de 80% dos pacientes de 40 a 60 anos conseguem recuperar a taxa normal de testosterona num prazo médio de 90 dias de tratamento, afirma o andrologista Lister Salgueiro, que está escrevendo um livro sobre andropausa, a ser lançado no mês que vem, em parceria com um médico brasileiro e um belga. "Mas existem pacientes que podem precisar da reposição pelo resto da vida", diz o médico.

 

Provavelmente, esse poderá ser o caso do humorista Moacyr Franco, 65, que faz reposição de testosterona, além de outros hormônios, há cerca de cinco meses. Trimestralmente, Moacyr se submete a uma bateria de exames para checar se a dosagem usada supre seu déficit -de 60%, segundo sua médica, a endocrinologista Vânia Assaly, 40. "O objetivo da reposição é manter o homem com saúde, ativo. Dependendo dos resultados, que até agora são positivos, ele continuará tomando", diz.

 

O humorista ressalta que a procura do tratamento não teve nada a ver com sexo, embora seja casado com uma mulher de 26 anos. "É claro que aumentou o tesão, diria uns 40%. Agora, o que é muito mais importante é a cabeça de um homem."

 

Antes de iniciar a terapia, Moacyr diz que era constantemente traído pela memória. "Estava escrevendo um texto e, de repente, me fugiam as palavras. Pensava em outra coisa e esquecia completamente a sequência", conta. "Agora, além de bem-disposto, estou me sentindo muito melhor, com o raciocínio fluindo mais rápido, e minha memória está ótima", afirma.

 

A mulher do humorista, Daniela, está grávida de gêmeos há cinco meses e meio. "Quero ser um pai lúcido e inteligente nos próximos 15 ou 20 anos. Não quero que meus filhos me encontrem como um vovô."

 

Deter o tempo pode ser impossível, mas envelhecer com qualidade de vida, não. Que o diga Hugues Jorge, 76, campeão de queda-de-braço e "Mister Campinas" de 1950, um dos precursores do uso de testosterona no Brasil, há mais de dez anos. "Com 56 anos, sempre tive uma vida saudável, dedicada aos esportes, mas comecei a sentir mal-estares, tontura, falta de disposição para treinar", conta.

 

O atleta não imaginava que seu problema tivesse a ver com queda hormonal. "Ninguém falava sobre esse assunto. Pensava que isso era coisa de mulher", diz. Ele fez o tratamento injetável durante um ano e parou. Voltou em 95, mesclando comprimidos diários e uma injeção mensal.

 

Hugues corre 3 km três vezes por semana, faz musculação outras três e chega a levantar 100 kg. Para um vovô, tem medidas mais que invejáveis: 87 cm de cintura, 1,25 m de tórax e 44 cm de braço. Em outubro do ano passado, participou do campeonato mundial de queda-de-braço na Itália e jura que não fez feio. "Lutei com um húngaro 33 anos mais novo e dei trabalho. A platéia gritava meu nome", conta, orgulhoso, apesar de ter sido derrotado.

 

Hugues não vê problema na obrigação de checar o nível de testosterona a cada três meses. "Homem só costuma ir ao médico quando já está na lona. Eu, não. As pessoas até brincam comigo, dizem que eu sou um super-homem, mas apenas cuido do meu corpo para viver bem", diz.

 

O exército da reposição hormonal

Adesivo
Vantagem
* Imita a secreção diária da testosterona pelo organismo, sem grandes picos, mas constante

Desvantagem
* Não é discreto
* Às vezes, a aplicação é difícil (no testículo, por ex.)
* Pode causar reação alérgica

 

Tablete bucal (liberação rápida)

Vantagem
* Não passa pelo fígado (o excesso da metabolização hepática pode causar aumento da próstata, infertilidade, impotência, câncer de fígado e pâncreas)

Desvantagem
* Ainda está em teste
* A absorção é irregular, pode promover pico maior, mas acabar rapidamente

 

Tablete bucal (liberação contínua)

Vantagem
* Não passa pelofígado
* Imita a secreção diária da testosterona

Desvantagem
* Não tem

 

Injetável

Vantagem
* Não passa pelo fígado
* Aplicação entre 7 dias e 21 dias
Desvantagem
* Concentração é muito alta nos primeiros dias e, mesmo sem passar pelo fígado, pode provocar excesso de metabolização em outros tecidos e causar aumento da próstata, infertilidade, impotência, câncer de fígado e de pâncreas
* Não imita a secreção diária e a variação hormonal é grande

 

Implante subcutâneo
Vantagem
* Não passa pelo fígado
* Pode ser trocado a cada oito meses

Desvantagem
* Não imita a secreção diária da testosterona, porque mantém a mesma secreção hormonal o tempo todo

 

Comprimido (undecanoato de testosterona)

Vantagem
* É tomado por via oral, mas não passa pelo fígado porque é absorvido pelo intestino

Desvantagem
* O número de comprimidos, cerca de 10 por dia
* Ação mais fraca do que dos outros métodos, não serve em todos os casos

 

Gel

Vantagem
* Mais discreto
* Fácil aplicação
* Não provoca alergias
* Não passa pelo fígado

Desvantagem
* Não tem

 

 

Fonte: Lister de Lima Salgueiro, andrologista

 

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